Entre montanhas, trilhas e cachoeiras: birding no Caraça

O Complexo Santuário do Caraça é um dos atrativos turísticos mais visitados em Minas Gerais. A palavra “complexo” faz jus à quantidade de atividades desenvolvidas na propriedade da Instituição Católica Província Brasileira da Congregação da Missão:

1) preservação, conservação e educação ambiental (RPPN, centro de visitantes e trilhas);
2) educação, cultura, ciência (conjunto arquitetônico, museu e biblioteca);
3) Centro Vicentino Missionário de espiritualidade, religião e peregrinação (Santuário e Curato);
4) complexo turístico (pousada, restaurante, loja, lanchonete, bar, roteiros e atrativos).

Mas, felizmente, visitar o Caraça não tem nada de complicado. Muito pelo contrário, é simples e prazeroso. Há opções de pousada e alimentação a preços acessíveis dentro do complexo. O ambiente predominante religioso e o isolamento fazem de lá um lugar muito tranquilo. Um pedaço de paraíso, como anunciam as primeiras placas que se lê após passar pela portaria principal.

A propriedade tem área total de 11.233 hectares, sendo que 10.187 ha fazem parte da RPPN. A natureza preservada por décadas, em meio a uma região que sofre significativa degradação ambiental por parte de mineradoras, serve de abrigo para diversas espécies. De acordo com o plano de manejo da UC são 339 espécies de aves, sendo que 71 espécies são endêmicas da Mata Atlântica, 4 endêmicas do Cerrado e 4 endêmicas dos topos de montanha do Sudeste do Brasil.

O Caraça tem trilhas para todas as preferências e perfis. Trilhas curtas e planas, rodeadas por matas, para quem quer andar pouco e ver muitos bichos por metro quadrado; trilhas médias e também planas, em ambientes abertos, para quem quiser melhor luz para fotografar; trilhas longas e acidentadas, oscilando entre bordas de matas, campos rupestres e matas fechadas, daquelas onde se pode passarinhar o dia inteiro. Há ainda a possibilidade de subir bastante e lá em cima avistar extensos campos de altitude. O legal é que quase todas elas terminam em piscinas naturais ou cachoeiras que convidam a banhos refrescantes para renovar as energias após as caminhadas.


O melhor período para observação de aves é entre setembro e novembro. É primavera e o período reprodutivo faz com que as aves fiquem mais ativas. Nessa época não é raro observar um casal de tesourinhas-da-mata construindo seu ninho e, dias depois, cuidando de seus filhotes.

tesourinha-da-mata (Phibalura flavirostris), por Amaro Alves

tesourinha-da-mata (Phibalura flavirostris), por Amaro Alves

Nos meses de atividade reprodutiva menos intensa o Caraça não deixa a desejar. Embora algumas espécies fiquem mais quietas, sempre há possibilidade de encontrar bichos interessantes entre uma trilha e outra.

Dentre as espécies mais procuradas pelos observadores de aves está o pavó, espécie rara que habita matas e geralmente se alimenta nas copas de árvores altas. Outras espécies, como o fruxu e o formigueiro-da-serra, que só são encontrados nos estados do sudeste brasileiro, também são muito desejadas pelos birders que visitam o Caraça.

fruxu (Neopelma chrysolophum), por Margi Moss

fruxu (Neopelma chrysolophum), por Margi Moss

Nas bordas das matas destaca-se a borralhara-assobiadora, que vocaliza constantemente. Ave de grande porte, vive em meio à vegetação densa e às vezes facilita a vida do observador, pousando por alguns instantes em galhos mais expostos.

borralhara-assobiadora (Mackenziaena leachii), por Amaro Alves

borralhara-assobiadora (Mackenziaena leachii), por Amaro Alves

Os endemismos do Espinhaço são outro atrativo. O beija-flor-de-gravata-verde pode ser encontrado nas trilhas que passam por campos rupestres. O canto do rabo-mole-da-serra pode ser apreciado de longe, e essa espécie permite ótima aproximação em praticamente qualquer época do ano.

rabo-mole-da-serra (Embernagra longicauda), por Margi Moss

rabo-mole-da-serra (Embernagra longicauda), por Margi Moss

E tem muito mais: choquinha-carijóchoquinha-de-dorso-vermelho, cigarra-bambuformigueiro-assobiadorgritador, patinho, rendeira, bandos de saíra-douradinha e saíra-lagarta, surucuá-variado, tachuri-campainhatangarátietingatrepador-quietevite-vite-de-olho-cinza, etc, etc, etc… Consulte a lista mantida pela Ecoavis na Táxeus: taxeus.com.br/lista/155.

E o passeio ao Caraça não é completo sem um encontro cara a cara com um lobo-guará. Isso mesmo: geralmente os lobos sobem as escadas do santuário em busca de alimento. Um costume mantido pelos padres há cerca de 30 anos – santuariodocaraca.com.br/lobo-guara.

lobo-guará (Chrysocyon brachyurus)

lobo-guará (Chrysocyon brachyurus)

Fica então o convite para que você visite esse paraíso. Entre em contato para obter mais informações sobre a organização de sua viagem e contrate um guia especializado em observação de aves para aproveitar ainda mais seu passeio.

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Birdwatching em Ouro Preto e Ouro Branco, janeiro de 2015

Ao agendar atividades de observação de aves para o mês de janeiro em Minas Gerais, uma ressalva às condições climáticas que permitam a realização das atividades é obrigatória. Historicamente o período é marcado por calor e chuvas fortes. O que se viu nesse início de 2015, no entanto, foi só o calor. Intenso.

Quando se aproximava o dia de começar o tour pelos parques estaduais do Itacolomi e da Serra do Ouro Branco, respectivamente nos municípios de Ouro Preto e Ouro Branco, guia e participantes estavam apreensivos. Como seria procurar por passarinhos após mais de 20 dias de muito calor? Como estaria a atividade das aves ao longo dos dias?

Para alegria do grupo a chuva chegou exatos dois dias antes de começarem as atividades, no dia 22. Choveu também no dia 23, o que fez com que a temperatura ficasse bem mais agradável ao longo do dia. De repente a preocupação passou a ser outra: haveria condições para passarinhar nos dias 24 e 25?

Passarinheiro tem que contar com a sorte. Após uma boa noite de descanso na Estalagem Santa Rita, o grupo formado pelos birders Daniel Esser, Kleber Silveira e o guia Ricardo Mendes partiu bem cedo para o Parque Estadual do Itacolomi. Desde a entrada no parque a neblina era vista em um um canto ou outro, mas nada que atrapalhasse a visualização das aves.

Vários cantos eram ouvidos ao longo do caminho, pelas estradinhas esverdeadas em meio à Mata Atlântica. Paradas para fotografias, gravação de sons e anotações nas cadernetas foram constantes durante toda a manhã. Aos poucos a lista de espécies avistadas foi ganhando corpo. Naturalmente os lifers apareceram, assim como possibilidades para melhorar registros de espécies já conhecidas pelos participantes. A neblina foi dando lugar a uma ótima luz, filtrada por nuvens não muito densas.

arredio-pálido (Cranioleuca pallida), por Daniel Esser

arredio-pálido (Cranioleuca pallida), por Daniel Esser

Destaque para cigarra-bambu, com indivíduos vocalizando bastante; choquinha-carijó, rendeira e tuque, sempre inquietos; uma família de pula-pula-assobiador ficou no limpo, aparentemente alimentando um filhotão a poucos metros do grupo; um casal de arredio-pálido que permitiu preciosos minutos de observação; bandos de saíra-douradinha, algumas vezes se misturando com os de saíra-lagarta e, já passando do meio-dia, um casal de joão-botina-do-brejo.

pula-pula-assobiador (Myiothlypis leucoblephara), por Daniel Esser

pula-pula-assobiador (Myiothlypis leucoblephara), por Daniel Esser

Após uma longa e produtiva manhã, parada para o almoço. No parque tem um ótimo restaurante, que permite aos observadores fazerem suas refeições contemplando a natureza exuberante do local.

O tempo começou a fechar por volta das 15:00. Com receio de enfrentar a forte chuva que se anunciava, os participantes optaram por voltar para a pousada. Se mais tarde o tempo permitisse, lá mesmo haveria oportunidade para passarinhar mais um pouco, pegando a luz do final da tarde. Mas a chuva ficou até a noite de sábado e certamente ninguém reclamou dela. Conversas sobre tratamento de imagens, viagens passadas e futuras encerraram o dia.

Na manhã de domingo o destino era o Parque Estadual Serra do Ouro Branco. Dia de procurar pelas espécies dos campos limpos e rupestres.

O dia amanheceu azul no alto da serra. Uma luz daquelas que só ambientes abertos permitem. Animados pelos primeiros raios de sol o tico-tico-de-máscara-negra e a corruíra-do-campo deram show!

tico-tico-de-máscara-negra (Coryphaspiza melanotis), por Kleber Silveira

tico-tico-de-máscara-negra (Coryphaspiza melanotis), por Kleber Silveira

corruíra-do-campo (Cistothorus platensis), por Daniel Esser

corruíra-do-campo (Cistothorus platensis), por Daniel Esser

Após a tomada de excelentes fotografias dessas espécies a expectativa pelo que viria a seguir era grande. Mas, outras espécies geralmente encontradas na serra não apareceram. Nem sinal do caminheiro-de-barriga-acanelada, por exemplo, que normalmente é visto aos montes por lá…

A viagem seguiu até os campos rupestres. O objetivo lá era encontrar o raro beija-flor-de-gravata-verde. Ambiente silencioso até que um pequeno beija-flor curioso chega perto dos observadores. Nada mais, nada menos que ele, o “Augastes”!

Entre idas e vindas a seu poleiro, foi possível contemplar de camarote a beleza desse pequenino, que só ocorre na cadeia de montanhas do Espinhaço, no ponto mais ao sul de sua área de distribuição.

beija-flor-de-gravata-verde (Augastes scutatus), por Kleber Silveira

beija-flor-de-gravata-verde (Augastes scutatus), por Kleber Silveira

Ao final da manhã as nuvens já tomavam conta do céu novamente. Embora tenham sido encontradas poucas espécies, elas eram especiais para todos.

As atividades foram encerradas com os primeiros pingos de chuva, mais uma vez comemorados após horas muito legais de passarinhada. Um almoço pra fechar a conta e atualização da lista de espécies encontradas no roteiro, que só faz aumentar: taxeus.com.br/lista/4366.

Gostou do roteiro? Entre em contato e faça você também! Mais informações em minasbirdingtours.com.br/destinos-e-roteiros/ouro-preto-ouro-branco.

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Passarinhando nas Villas e Fazendas, setembro de 2014

Entre os dias 26 e 28 de setembro de 2014 foi realizado o piloto do roteiro para observação de aves “Passarinhando nas Villas e Fazendas”, resultado de uma parceria entre o Circuito Turístico Villas e Fazendas de Minas e o guia de observação de aves Ricardo Mendes, com apoio das Prefeituras Municipais de Senhora de Oliveira e Rio Espera, cidades localizadas na região central de Minas Gerais. O objetivo era avaliar o roteiro de dois dias proposto para a região, sob os aspectos de hospedagem, alimentação, logística e claro, da avifauna local. Participaram do piloto birders que residem na região e convidados de Belo Horizonte, totalizando 9 pessoas.

O grupo chegou a Senhora de Oliveira na noite de sexta-feira, 26/09. Foi realizada a apresentação entre aqueles que não se conheciam, uma breve confraternização e em seguida o jantar servido no fogão a lenha, cujo prato principal (costelinha de porco com quiabo) caracteriza um dos atrativos paralelos do roteiro: a culinária típica dessa região do estado. Após a recepção, hora de descansar, pois os dias seguintes prometiam muitas atividades.

Na manhã de sábado, logo após o café da manhã, seguiram para o primeiro ponto de observação, à margem do Rio Xopotó, onde há um significativo remanescente de Mata Atlântica. Durante o trajeto, uma breve parada em uma lagoa ao lado da estrada revelou a primeira surpresa do dia: o mergulhão-pequeno. Registrado apenas por Fabrício Miranda, a ave logo mergulhou e desapareceu na lagoa, como é hábito da espécie. Certamente emergiu em outro ponto após algum tempo, possivelmente após o grupo deixar o local.
Chegando ao Xopotó diversas espécies começaram a ser encontradas. Destaque para o tucano-de-bico-preto, surucuá-variado e inhambu-chintã, que vocalizavam. O avistamento do trepador-coleira chamou a atenção de todos os participantes. O bicho não se deixou fotografar… Logo em seguida outra espécie atraiu a atenção: tico-tico-do-mato, lifer para alguns dos participantes. Na linguagem da observação de aves, “lifer” é o termo utilizado por um observador quando encontra uma espécie pela primeira vez.

A caminhada seguiu por uma trilha na borda da mata. O abre-asa-de-cabeça-cinza e o bagageiro posaram para fotos. Em seguida um bando de araçaris-de-bico-branco também foi motivo de grande euforia, mais um lifer para boa parte dos participantes. O pichororé deu trabalho, como de costume. Sempre entre galhos.


Ao final da manhã e após cerca de 80 espécies avistadas, o grupo havia se dividido. Alguns participantes já se dirigiam aos carros quando os que ficaram para trás avistaram “urubus” sobrevoando a mata. Entre eles dois chamaram a atenção, devido ao formato e coloração das penas. Tratava-se de mais uma surpresa, um casal de gaviões-pega-macaco. Corra, veja com os binóculos, garanta o lifer!

Hora do almoço, os passarinhos novamente dão lugar à culinária mineira. Frango ao molho pardo na Fazenda Caatinga. De sobremesa, pudim. Tudo feito na própria fazenda, reposição de energias aprovada por todos do grupo.


Na parte da tarde a observação de aves continuou na própria fazenda. O macuquinho-da-várzea cantou, mas nada de aparecer – ele quase nunca aparece mesmo… Mas o joão-botina-do-brejo e o sabiá-do-banhado apareceram, bichos muito bonitos para se observar. Outra espécie que deu um mole incrível foi o tucão. Ficou a poucos metros, em um assa-peixe, enquanto fotografias eram feitas por todos.

O luz do dia estava se acabando e novamente o grupo se dividiu. Uma parte queria ver o casal de maracanãs-verdadeiras que se reproduzem em uma palmeira morta ao lado da sede da fazenda. Outra parte queria tentar novamente as espécies do brejo que haviam somente sido ouvidas: além do macuquinho-da-várzea, a sanã-carijó. Os que foram atrás das maracanãs deram mais sorte :).

A visita à fazenda se encerrou com um farto lanche, já no início da noite. Pão de queijo, quitandas, café com leite e suco natural bem refrescante, muito bem-vindo devido ao calor que fez durante todo o dia.

Os participantes seguiram então para Rio Espera, município vizinho, onde pernoitaram.
Na manhã seguinte, mais passarinhada. O estalador começou o dia animado. O gavião-de-cabeça-cinza apareceu sobrevoando a área. Um casal de formigueiros-da-serra exigiu momentos de dedicação às fotos. Belos habitantes das áreas em regeneração da região. Morro acima e uma parada para avistar várias outras espécies. Barranqueiro-de-olho-branco e canário-do-mato foram as estrelas nesse trecho.

canário-do-mato (Myiothlypis flaveola)

O grupo encerrou o trajeto no alto de um morro. A descida foi bem mais rápida que a subida, pelo avançado da hora e pelo interesse em visitar outro ponto, uma área alagada onde o tiê-sangue havia sido registrado alguns dias atrás.

Chegando ao local o próprio tiê-sangue deu as boas vindas. Fotos e mais fotos e a satisfação por ver o casal, macho e fêmea sempre próximos um do outro. Outra espécie que permitiu boas fotos nesse local foi a juruviara. Migratória, pode ser observada com frequência naquelas bandas nessa época do ano, pois fica bem ativa devido ao período reprodutivo.

tiê-sangue (Ramphocelus bresilius)

O roteiro se encerrou com o almoço de despedida no pesque-pague Bica d’Água. Cerveja bem gelada para o brinde e o almoço fechando a programação com chave de ouro. Torresmo, couve refogada, bife de porco e frango com quiabo.

O saldo final resultou em 140 espécies observadas e alguns quilos a mais para cada um dos participantes. As listas de Senhora de Oliveira e Rio Espera estão na Táxeus. Várias fotos estão no Wikiaves.

Gostou do roteiro? Será um prazer recebê-lo(a). Valor por pessoa: R$ 640,00, incluindo hospedagem, todas as refeições do jantar de sexta ao almoço de domingo, guias especializados em observação de aves e seguro viagem. Bebidas e deslocamentos à parte. Para locação de veículo e contratação de transfer de/para aeroporto de Confins, favor entrar em contato. Mínimo de 4 e máximo de 6 participantes.

Para contratar entre com contato com o Minas Birding Tours.

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Birding na RPPN Alto-Montana e PARNA Itatiaia, Itamonte/MG

O município de Itamonte pertence a Minas Gerais, mas está mais próximo das capitais do Rio e São Paulo do que de Belo Horizonte. Localizado na divisa entre os 3 estados, teve no passado sua economia baseada na placa-circuito-terras-altas-mantiqueirapecuária leiteira. Atualmente, por estar localizado em área prioritária para a conservação da biodiversidade segundo as Nações Unidas e com inquestionável vocação para conservação da Mata Atlântica na Serra da Mantiqueira, tem 80% de seu território destinado a unidades de conservação, o que faz com seja bastante atraente para quem curte atividades ligadas à natureza. As UCs mantidas pelo poder público na região são: Parque Estadual da Serra do Papagaio, APA Serra da Mantiqueira e a mais conhecida, Parque Nacional do Itatiaia (parte alta). Além delas, desde 2011 mais uma unidade de conservação tem sua sede no município: a RPPN Alto-Montana. A reserva ocupa 672 ha dos 1.050 que constituem a fazenda Pinhão Assado, sede do Instituto Alto-Montana da Serra Fina, responsável pela gestão da mesma e pelas ações de pesquisa e educação ambiental na área. Cabe ressaltar que a criação da RPPN e a elaboração de seu Plano de Manejo foram efetivados com apoio do Programa de Incentivos a RPPNs da Mata Atlântica, coordenado pela Conservação Internacional e Fundação SOS Mata Atlântica.

A fazenda abrigou desde os anos 50 até 2008 o tradicional Hotel Casa Alpina. Em 2007, quando adquirida pelo atual proprietário, foi recebida em condições de uso diversas, desde elementos em estado operacional, carentes de adequações e manutenção básica, até outros em estado bastante precário e até inoperantes. A partir de um novo olhar, os mais evoluídos conceitos de sustentabilidade estão sendo aplicados no planejamento da nova estratégia empresarial para a fazenda, de forma que a responsabilidade socioambiental de longo prazo é dimensão da sua visão de futuro. Os programas de ação que compõem a nova estratégia empresarial estão sendo construídos dentro dos seguintes Eixos Conceituais: (1) Preservação e Conservação Ambiental; (2) Produção Animal e Vegetal Sustentável; (3) Pesquisa e Desenvolvimento; (4) Educação e (5) Turismo integrado às demais ações. (fonte: institutoaltomontana.blogspot.com)

Nesse contexto, o Instituto/RPPN pretende estimular a observação de aves como ferramenta de educação e conservação ambiental, assim como modalidade de ecoturismo, dentre as atividades praticadas nas áreas sob sua gestão e adjacências. Parcerias estão sendo construídas e em visita recente o observador de aves Ricardo Mendes foi recebido por dois gestores do Instituto, Paulo Pêgas e Endy Arthur, e pelo biólogo Kassius Santos, que realizou um relevante trabalho de levantamento das aves que habitam a área durante seu trabalho para conclusão do curso de Biologia na Universidade Federal de Lavras e para o Plano de Manejo da RPPN. Segue abaixo o relato dessa visita, priorizando aspectos relacionados à observação de aves.

O primeiro local visitado foi a RPPN. Uma estrada de cerca de 8 km atravessa boa parte dela e permite que o visitante vá da sede do instituto, a 1.400 m de altitude, até os 2.200 m, onde já funcionou a rampa de vôo livre mais alta do Brasil.

itamonte-estrada-rppn-alto-montana

A distribuição das espécies varia ao longo do gradiente altitudinal, o que torna possível encontrar surpresas a cada uma das várias curvas dessa estrada. Choquinha-da-serra, beija-flor-de-topete, pica-pau-dourado e caneleirinho-de-chapéu-preto são algumas delas…

choquinha-da-serra (Drymophila genei )

choquinha-da-serra (Drymophila genei )

No ponto mais alto da estrada, garrincha-chorona, gavião-pega-macaco e outros rapinantes, tapaculo-preto, sanhaçu-frade e (com sorte!) o pinto-do-mato podem ser observados.

tapaculo-preto (Scytalopus speluncae)

tapaculo-preto (Scytalopus speluncae)

A notícia ruim é que a estrada está em más condições de conservação e percorrer seus poucos quilômetros exige um veículo 4×4, perícia do motorista e paciência dos acompanhantes. Fica a expectativa para que a manutenção da mesma seja logo restabelecida, pois percorrer, contemplar e parar pelas curvas (pausas para passarinhar) quando ela estiver mais conservada certamente serão atrativos singulares para os visitantes. Em tempo, a responsabilidade legal pela manutenção da estrada é de empresas de telecomunicação, que mantêm antenas em uma torre no ponto mais alto, mas elas não cumprem com suas obrigações, o que leva a longas e morosas disputas judiciais.

Uma vez lá em cima, é impossível não reservar alguns minutos para contemplar o silêncio quase absoluto, não fosse pelo canto as aves :), e a vista, de tirar o fôlego, para qualquer lado que se olhe.

itamonte-vista-rampa

De volta à sede do instituto, reencontro com os que ficaram e uma pausa para o almoço em um dos vários restaurantes que servem trutas em Itamonte. A cidade é grande produtora desse peixe, exótico, que exige água pura e em temperaturas amenas para sobreviver. O impacto ambiental dessas criações é assunto para outra conversa e não será tratado aqui…

placa-parna-itatiaiaNa parte da tarde uma visita à parte alta do Parque Nacional do Itatiaia, cuja estrada de acesso fica a 5 km da Fazenda Pinhão Assado. Oportunidade imperdível para encontrar belas e interessantes espécies: saudade, com seu canto que lembra a microfonia, peito-pinhão, estalinho e várias outras. Pontes que permitem observar as aves nas copas das aves são grandes atrativos. Em uma das paradas obrigatórias ao longo da estrada um lek de beija-flores-de-topete! Vários machos da espécie vocalizavam e demarcavam seus territórios: período reprodutivo que se aproxima.

beija-flor-de-topete (Stephanoxis lalandi)

beija-flor-de-topete (Stephanoxis lalandi)

A última manhã foi dedicada a atividades no entorno das instalações do Instituto Alto-Montana. Apesar de não estar dentro da RPPN, essa área tem várias trilhas fáceis de percorrer, nas quais é possível a observação de outras tantas espécies: saí-de-pernas-pretas, piolhinho-serrano, verdinho-coroado, borralhara-assobiadora, grimpeiro, maria-preta-de-bico-azuladopica-pau-rei, quete e, para nossa surpresa, o primeiro registro de águia-cinzenta (avistamento e gravação sonora realizados pelo Kassius) dentro da fazenda. Enfim, passarinho é o que não falta por lá!

piolhinho-serrano (Phyllomyias griseocapilla)

piolhinho-serrano (Phyllomyias griseocapilla)

O instituto disponibiliza um guia com as aves da RPPN, que pode ser baixado gratuitamente. Estão gradativamente melhorando a estrutura das instalações para recepção de hóspedes, mas as mesmas já se encontram em condições satisfatórias para recebê-los, uma vez que ali funcionou um renomado hotel até alguns anos atrás. A lista com as espécies está disponível em taxeus.com.br/lista/3136.

Gostou do lugar? Quer passarinhar por lá? Entre em contato e agende sua visita com um guia especializado.

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Observação de aves na Serra do Cipó

Espécies diversas de fauna e flora, raras, endêmicas, ameaçadas de extinção. Diversidade de ambientes: cerrado, dos campos rupestres às matas de galeria; mata atlântica. Caminhadas e paisagens de tirar o fôlego. Comida mineira para todos os paladares. Opções de hospedagem para os mais diversos níveis de exigência. Sejam bem-vindos à Serra do Cipó, um dos melhores destinos para observação de aves em Minas Gerais!

O que está citado no parágrafo acima pode parecer exagero, mas não é. O objetivo desse post é apresentar um pouco das possibilidades para observação de aves na Serra do Cipó. A serra está localizada na região central do estado, a 90 km de Belo Horizonte e 75 km do aeroporto de Confins, com acesso por estrada asfaltada. Protegida pelas Unidades de Conservação Parque Nacional da Serra do Cipó e APA Morro da Pedreira, a região é considerada um dos conjuntos naturais mais exuberantes do mundo. A serra faz parte da Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço.

Hora de falar de passarinhos… Começamos pelo Parque Nacional, que é aberto à visitação e tem sua sede no Distrito Serra do Cipó (antigo Cardeal Mota), município de Santana do Riacho. A rodovia MG 10, que dá acesso ao distrito, percorre toda a margem oeste do parque  e serve como referência de trajeto para a maior parte dos pontos sugeridos aos observadores de aves.

A partir da portaria principal o visitante pode acessar trilhas que atravessam os campos e levam às matas de galeria, que acompanham o Rio Cipó. Antes de partir para as trilhas vale a pena uma volta pelos arredores da sede. Espécies como saí-azul, tuim, saíra-amarela, chorozinho-de-chapéu-preto, guaracava-de-barriga-amarela, dentre várias outras, costumam ficar por lá para dar as boas vindas. Não se espante também se um raro azulão aparecer…

Partindo para as trilhas, espécies campestres como o canário-do-campo podem ser encontradas. Nos campos cobertos por capim natural algumas espécies de papa-capim encontram abrigo e alimento no período reprodutivo, geralmente de outubro a fevereiro.

Trilha no Parque Nacional da Serra do Cipó

Nas árvores esparsas podem ser encontrados o pica-pau-de-banda-branca, o gibão-de-couro e o suiriri-pequeno. À medida que o rio fica mais próximo os campos dão lugar a uma vegetação mais densa, as matas de galeria. Lá, ilustres representantes do cerrado têm sua moradia: soldadinho e fura-barreira. Dividem com eles essas matas o ferreirinho-relógio, a fogo-apagou e o bagageiro. Bem próximo à água o casaca-de-couro-da-lama e o martim-pescador-pequeno podem ser encontrados. Enfim, uma variedade de espécies pertencentes a várias famílias, de hábitos e ambientes distintos. Ao final da tarde ainda é possível encontrar pousada em alguma árvore seca a jacurutu, maior rapinante noturno das Américas.

Concluída a visita à sede, é interessante subir um pouco a serra, de carro, pela rodovia MG 10. A certa altura é possível notar a mudança na paisagem e perceber a presença dos campos rupestres. Há diversas trilhas que atravessam esses campos, sendo a Mãe d’Água uma das mais conhecidas. Ao longo dessa trilha, que tem em torno de 3,5 km, alguns dos maiores atrativos da serra podem ser encontrados: beija-flor-de-gravata-verde, chifre-de-ouro, estrelinha-ametista, capacetinho-do-oco-do-pau e pica-pau-chorão.

Mais adiante, seguindo pela MG 10, está o Alto da Boa Vista. Um local que exige bastante esforço para caminhada, com subidas e descidas íngremes, sempre em meio às pedras. É uma região com altitude variando entre 1.300 e 1.500 m, onde o tempo está frequentemente fechado. No entanto, há dois grandes atrativos: a vista (quando se consegue chegar lá com tempo aberto) e o lenheiro-da-serra-do-cipó, ave endêmica do Espinhaço, ameaçada de extinção.

Pedras no caminho e o horizonte no Alto da Boa Vista

Além do lenheiro, o caminheiro-de-barriga-acanelada, o papa-moscas-de-costas-cinzentas e a águia-chilena podem ser encontrados nesse trecho.

lenheiro-da-serra-do-cipó

Continuando pela MG 10 chega-se ao Alto do Palácio, onde há outra portaria do Parque Nacional. Ali é o limite norte do parque. Espécies como o papa-moscas-do-campo, o canário-do-brejo e o tapaculo-serrano podem ser encontradas nos arredores. Ao longo da MG 10 esses são os pontos mais relevantes para observação de aves.

Outro local que merece atenção é a Lapinha da Serra. Distante cerca de 40 km do Distrito Serra do Cipó, a Lapinha também pertence ao município de Santana do Riacho. O acesso até sede do município (30 km) é asfaltado. Os outros 10 km que ligam a sede à Lapinha são de estrada de terra, acessível por qualquer tipo de carro. O principal atrativo é o pedreiro-do-espinhaço, outra espécie endêmica, que só é encontrada na Serra do Cipó.

pedreiro-do-espinhaço

Uma caminhada pelas trilhas da Lapinha permite também observar a primavera, o cochicho, o arapaçu-de-cerrado e a guaracava-modesta.

Lapinha da Serra – vista parcial

Há uma lista de espécies mantida pela Ecoavis contemplando as que foram citadas nesse post e tantas outras que podem ser encontradas na Serra do Cipó, atualizada sempre que membros da instituição realizam visitas à região – taxeus.com.br/lista/1556.

Gostou do lugar? Quer passarinhar por lá? Entre em contato e agende sua visita com um guia especializado.

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Observação de aves na Serra de Ouro Branco

Ponto turístico mais conhecido do município de Ouro Branco, a serra que tem o mesmo nome da cidade é frequentemente visitada por quem busca belas paisagens, riachos de água cristalina, a capelinha localizada em seu ponto mais alto e uma vista abrangente da região.

A Serra do Ouro Branco tem uma área aproximada de 1.614 hectares. É uma elevação abrupta formada por um paredão com cerca de 20 km de extensão a sudeste, que delimita um planalto cuja altitude varia entre 1.250 e 1.568 m, e encostas íngremes a nordeste. (fonte: Wikipédia – goo.gl/uF3s74)

Localizada em região de transição entre a Mata Atlântica e o Cerrado, espécies e ecossistemas dos dois biomas podem ser encontrados na serra, lado a lado. Parte da serra e de seu entorno fazem parte de unidades de conservação, sendo as mais notáveis o Parque Estadual Serra do Ouro Branco e o Monumento Natural de Itatiaia. Empresas privadas também mantêm RPPNs em áreas de Mata Atlântica próximas aos limites das unidades principais, o que amplia as áreas protegidas.

A região do Parque Estadual Serra do Ouro Branco está situada na borda limítrofe sul da Serra do Espinhaço, sendo a primeira formação geológica considerada como marco inicial sul da segunda. Está localizada nos Municípios de Ouro Branco e Ouro Preto, a aproximadamente 60 km em linha reta a sudeste de Belo Horizonte. Tem área aproximada de 7.520 hectares. (fonte: Instituto Estadual de Florestas – IEF/MG – goo.gl/7Gpv3C)

Não é surpresa que um local com essas características chame a atenção dos observadores de aves. Além dos atrativos mencionados anteriormente, a serra tem tudo para se tornar um importante destino para birders que visitam a região. A seguir são apresentados alguns dos fatores que justificam essa afirmativa.

Quando se chega à serra pela manhã é comum ter como companhia uma densa neblina, devido à altitude e relevo da região. Aos poucos ela começa a se dissipar e aí o frio e o vento, às vezes constante, já não incomodam tanto. Começam a ser observadas as primeiras espécies de aves…

Quem dá as boas vindas é o tico-tico-de-máscara-negra. Espécie incomum, típica do cerrado, é possível encontrar indivíduos com certa facilidade na serra.

O tempo passa… maria-preta-de-penacho, quiriquiri, periquito-rei, bico-de-veludo, rabo-mole-da-serra, joão-bobo, maria-preta-de-garganta-vermelha. Um passa voando, outro fazendo algazarra, outro entoa seu melodioso canto.

Os observadores de aves precisam ficar atentos a cada movimento, mesmo ao longe.

A dissipação da neblina, que no início da manhã costuma ser densa, revela uma paisagem natural aparentemente inóspita: os Campos de Altitude.

Esses campos são cobertos por capim nativo. Infelizmente vez ou outra são alvo de incêndios criminosos, o que significa grande perda para a biodiversidade do local. Há espécies da fauna e flora que dependem dessa vegetação para sobreviver e outras que, embora não dependam, nela encontram suas melhores condições para alimentação e reprodução.

Uma dessas espécies é a corruíra-do-campo, que na foto abaixo pode ser vista em meio ao capim nativo.

Andando por esses campos é possível ouvir, à distância, cantos de espécies como o flautim e o tangará-dançarino, entre outras. São espécies associadas a matas e, como citado no início do texto, na serra os campos e matas estão lado a lado. Os campos em trechos mais planos, os fragmentos de matas em trechos mais acidentados e com maior abundância de água por perto. Matas de Galeria ocupam as margens dos cursos d’água, além dos importantes remanescentes de Mata Atlântica, representados pela fitofisionomia de floresta estacional semidecidual. Trilhas e estradas permitem o acesso a alguns desses fragmentos.

Seguindo pela estrada principal é possível notar que os Campos de Altitude e fragmentos de mata ainda dividem a paisagem com os Campos Rupestres. Entre as pedras e canelas-de-ema desse ambiente podem ser encontrados o raro beija-flor-de-gravata-verde – sendo que a Serra de Ouro Branco é o ponto mais ao sul da área de distribuição dessa espécie, endêmica do Espinhaço – e os simpáticos papa-moscas-de-costas-cinzentas.

Flores minúsculas que nascem em meio aos Campos Rupestres enfeitam o ambiente, divertindo os observadores entre um passarinho e outro. Vale ressaltar que a vegetação na região é extremamente variada e diversa e seu grau de endemismo é um dos maiores de toda a Cadeia do Espinhaço.

Quem opta por visitar a serra à tarde ainda tem a chance de contemplar belas paisagens à luz do final do dia. O pôr-do-sol, sobretudo nos meses de inverno, é espetacular.

Se o horizonte estiver limpo ainda é possível contemplar as montanhas que dividem os municípios de Ouro Branco, Ouro Preto e Itabirito. Uma visão única dos limites da Cadeia do Espinhaço.

A lista de espécies já catalogadas na serra durante visitas para observação de aves está disponível em taxeus.com.br/lista/90.

Gostou do lugar? Quer passarinhar por lá? Entre em contato e agende sua visita com um guia especializado.

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Maio de 2014 e uma manhã memorável em Santana

Aos primeiros raios de luz da fria manhã de 03 de maio de 2014 os participantes do passeio para observação de aves programado para o dia certamente não sabiam quantas surpresas a natureza reservava para eles naquele dia. Guiados por Ricardo Mendes, os visitantes Fernando, Luciene e Najla, hóspedes do Solar dos Montes que queriam conhecer a observação de aves, partiram para a trilha.

O passeio começo silencioso. Poucas palavras, bastante atenção e calmaria entre as aves. Um barbudo-rajado se moveu entre galhos quando percebeu a presença do grupo. Difícil observá-lo naquelas condições. Mais adiante um tiê-preto se exibiu. Vocalizou em um galho alto e em seguida desceu até outro mais baixo. Comeu uma frutinha, vocalizou de novo e se foi. Era um macho e logo em seguida a fêmea foi atrás dele.

Pouco à frente, movimento em meio a um emaranhado de galhos: pichororé! De perto, calmo e permitindo momentos de observação que essa espécie nem sempre permite.

Mais alguns minutos se passaram sem maiores surpresas. Um canto ali, outro acolá, todos muito ao longe. Eis que os participantes notaram um bando de aves se movimentando nas copas das árvores. Era um bando misto. Esses bandos se formam quando aves de várias espécies se juntam e colaboram entre si para tornar mais eficientes suas estratégias de busca por alimento. Um revira uma folha, outro procura por frutinhas escondidas, outro descasca um tronco, espanta insetos que logo são capturados por outro e assim por diante. No meio do bando uma das mais belas espécies da região, o surucuá-variado.

surucuá-variado, tucano-de-bico-preto e duas espécies de pica pau em pouco mais de 100 metros

Bandos mistos geralmente passam rápido, e naquele dia não foi diferente. Tão logo o bando passou, mais uma surpresa, praticamente no mesmo local: um tucano-de-bico-preto. Espécie rara em Santana e região, é sempre uma alegria encontrá-lo por lá. Em seguida o silêncio voltou a prevalecer, até que o barulho de batidas em tronco puderam ser ouvidas mais à frente. Um picapauzinho-anão deu um show! Minutos ali, batendo ininterruptamente em busca de alimento.

Interessante que, enquanto o grupo observava o picapauzinho, o tamborilado de outro pica-pau pôde ser ouvido. Mais lento, mais forte. Era um pica-pau-de-banda-branca, mas não foi possível vê-lo no primeiro momento.

A caminhada prosseguiu fora da mata, em área descampada. O tamborilado mais forte foi ouvido novamente e dessa vez o grupo pode ver o pica-pau. Em um galho seco, limpo. Minutos preciosos de observação da espécie.

Observação do pica pau-de-banda-branca

O último trecho foi novamente em meio à mata. Lá um tangarazinho e uma saíra-ferrugem foram os responsáveis pelos melhores avistamentos. Quando o grupo chegou ao fim da trilha já passava das 10:30. Hora de retornar e eles optaram por voltar pela mesma trilha, com expectativa de uma última surpresa.

pica-pau-de-banda-branca (Dryocopus lineatus)

Parece que o pica-pau-de-banda-branca não estava satisfeito com exibição de minutos atrás. Um casal apareceu novamente, como que querendo se despedir do grupo e fechando com chave de ouro uma manhã de surpresas incríveis.

Ao final do passeio os sorrisos não escondiam a satisfação dos que presenciaram aqueles momentos.

24 espécies puderam ser observadas em pouco mais de 3 horas: taxeus.com.br/listasazonalidades/2563/d/03-05-2014.

Os próximos passeios serão realizados nos dias 24 e 25 de maio. Saiba mais e participe: minasbirdingtours.com.br/programacao.

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