Birdwatching no Parque Estadual do Rio Doce (PERD) e entorno

O Parque Estadual do Rio Doce, com seus 36.000 hectares, guarda a maior área de Mata Atlântica contínua de Minas Gerais. Criado em 1944, é também a Unidade de Conservação estadual mais antiga que temos por aqui. Está localizado a 250 km de Belo Horizonte, na região conhecida como Vale do Aço, ocupando partes dos  municípios de Marliéria, Timóteo e Dionísio.

Região tão exuberante que o naturalista francês August Saint-Hilaire, quando das viagens pelas margens do Rio Doce no século XIX, não resistiu a registrar em palavras sua sensação de pequeneza diante daquele cenário.

Registro de Saint-Hilaire às margens do Rio Doce

Uma área tão significativa, preservada há tantos anos, serve como refúgio para várias espécies de animais e, particularmente, aves. Se tem passarinho e está em Minas Gerais, tem roteiro do Minas Birding Tours pra lá!

O plano de manejo aponta a ocorrência de aproximadamente 320 espécies de aves, sendo várias delas ameaçadas de extinção, raras em nível estadual e  nacional. Quem nunca ouviu falar do lendário jacu-estalo, um de seus mais ilustres moradores? A altitude pouco elevada e o relevo que liga a região onde o parque está inserido ao litoral capixaba permitiram que, ao longo do tempo, muitas espécies típicas das matas litorâneas e de baixada se adaptassem por lá. Tais fatores fazem desse parque um destino único e diferenciado para observação de aves no estado. Gradativamente ele vem sendo mais visitado por birders do Brasil e do exterior.

Uma das espécies mais raras é o pica-pau-dourado-grande (Piculus polyzonus), espécie recentemente reconhecida pela ciência. Casais podem ser encontrados em alguns pontos do parque.

Piculus polyzonus

pica-pau-dourado-grande (Piculus polyzonus), fêmea – foto: Rosemarí Júlio

Na busca pelo pica-pau outras espécies interessantes podem ser encontradas, merecendo destaque a tiriba-grande (Pyrrhura cruentata), tiriba-de-orelha-branca (Pyrrhura leucotis), choquinha-chumbo (Dysithamnus plumbeus), papagaio-moleiro (Amazona farinosa), anambezinho (Iodopleura pipra) e jaó-do-sul (Crypturellus noctivagus), dentre tantas outras.

Outra raridade é o fruxu-baiano (Neopelma aurifrons), espécie discreta que habita porções de mata fechadas.

Neopelma aurifrons

fruxu-baiano (Neopelma aurifrons) – foto: Carmen Bays

As surpresas para quem vai passarinhar no PERD não se restringem às aves. Uma das populações do maior primata das Américas, o muriqui-do-norte, reside no parque. Vez ou outra é possível avistar bandos deles nos topos das árvores. Claro, nessas horas os passarinhos somem, mas a contemplação não para diante de habilidade desses gigantes das copas.

Brachyteles hypoxanthus

muriqui-do-norte (Brachyteles hypoxanthus) – foto: Hideko Okita

No entorno do parque também há áreas propícias ao birdwatching, complementando um roteiro  abrangente e diversificado, para 2 ou 3 dias de atividades. As montanhas de Antônio Dias e locais específicos nos municípios de Timóteo e Ipatinga permitem a observação de espécies como o tempera-viola (Saltator maximus), pararu-azul (Claravis pretiosa), chororó-cinzento (Cercomacra brasiliana), saíra-sete-cores (Tangara seledon) e cuitelão (Jacamaralcyon tridactyla).

O PERD, mesmo com tantas atrações, apresenta densidade de aves relativamente baixa. Aliado ao fato de ser uma área muito extensa, é fundamental a companhia de guias especializados tanto em aves quanto em trilhas para se obter os melhores resultados de observação na área. O Minas Birding Tours atua em conjunto com o guia de observação de aves Celso de Castro, a Associação Amigos do PERD e com a gestão do próprio parque para viabilizar as visitas de forma sustentável e assegurar aos visitantes as melhores experiências possíveis.

Portaria do PERD

Observadoras Camen Bays, Rosemarí Júlio e Hideko Okita, que visitaram o PERD em abril de 2016, na portaria do parque com o guia Celso de Castro.

Aos interessados, fica o convite para que entrem em contato através do site solicitando maiores informações e agendamento de visitas.  Até a próxima passarinhada!

Sobre Ricardo Mendes

Birding since 2006 - www.ricardomendes.eco.br
Esse post foi publicado em Locais para observação, Parques Estaduais e marcado , . Guardar link permanente.

Deixe seu comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s