Entre montanhas, trilhas e cachoeiras: birding no Caraça

O Complexo Santuário do Caraça é um dos atrativos turísticos mais visitados em Minas Gerais. A palavra “complexo” faz jus à quantidade de atividades desenvolvidas na propriedade da Instituição Católica Província Brasileira da Congregação da Missão:

1) preservação, conservação e educação ambiental (RPPN, centro de visitantes e trilhas);
2) educação, cultura, ciência (conjunto arquitetônico, museu e biblioteca);
3) Centro Vicentino Missionário de espiritualidade, religião e peregrinação (Santuário e Curato);
4) complexo turístico (pousada, restaurante, loja, lanchonete, bar, roteiros e atrativos).

Mas, felizmente, visitar o Caraça não tem nada de complicado. Muito pelo contrário, é simples e prazeroso. Há opções de pousada e alimentação a preços acessíveis dentro do complexo. O ambiente predominante religioso e o isolamento fazem de lá um lugar muito tranquilo. Um pedaço de paraíso, como anunciam as primeiras placas que se lê após passar pela portaria principal.

A propriedade tem área total de 11.233 hectares, sendo que 10.187 ha fazem parte da RPPN. A natureza preservada por décadas, em meio a uma região que sofre significativa degradação ambiental por parte de mineradoras, serve de abrigo para diversas espécies. De acordo com o plano de manejo da UC são 339 espécies de aves, sendo que 71 espécies são endêmicas da Mata Atlântica, 4 endêmicas do Cerrado e 4 endêmicas dos topos de montanha do Sudeste do Brasil.

O Caraça tem trilhas para todas as preferências e perfis. Trilhas curtas e planas, rodeadas por matas, para quem quer andar pouco e ver muitos bichos por metro quadrado; trilhas médias e também planas, em ambientes abertos, para quem quiser melhor luz para fotografar; trilhas longas e acidentadas, oscilando entre bordas de matas, campos rupestres e matas fechadas, daquelas onde se pode passarinhar o dia inteiro. Há ainda a possibilidade de subir bastante e lá em cima avistar extensos campos de altitude. O legal é que quase todas elas terminam em piscinas naturais ou cachoeiras que convidam a banhos refrescantes para renovar as energias após as caminhadas.


O melhor período para observação de aves é entre setembro e novembro. É primavera e o período reprodutivo faz com que as aves fiquem mais ativas. Nessa época não é raro observar um casal de tesourinhas-da-mata construindo seu ninho e, dias depois, cuidando de seus filhotes.

tesourinha-da-mata (Phibalura flavirostris), por Amaro Alves

tesourinha-da-mata (Phibalura flavirostris), por Amaro Alves

Nos meses de atividade reprodutiva menos intensa o Caraça não deixa a desejar. Embora algumas espécies fiquem mais quietas, sempre há possibilidade de encontrar bichos interessantes entre uma trilha e outra.

Dentre as espécies mais procuradas pelos observadores de aves está o pavó, espécie rara que habita matas e geralmente se alimenta nas copas de árvores altas. Outras espécies, como o fruxu e o formigueiro-da-serra, que só são encontrados nos estados do sudeste brasileiro, também são muito desejadas pelos birders que visitam o Caraça.

fruxu (Neopelma chrysolophum), por Margi Moss

fruxu (Neopelma chrysolophum), por Margi Moss

Nas bordas das matas destaca-se a borralhara-assobiadora, que vocaliza constantemente. Ave de grande porte, vive em meio à vegetação densa e às vezes facilita a vida do observador, pousando por alguns instantes em galhos mais expostos.

borralhara-assobiadora (Mackenziaena leachii), por Amaro Alves

borralhara-assobiadora (Mackenziaena leachii), por Amaro Alves

Os endemismos do Espinhaço são outro atrativo. O beija-flor-de-gravata-verde pode ser encontrado nas trilhas que passam por campos rupestres. O canto do rabo-mole-da-serra pode ser apreciado de longe, e essa espécie permite ótima aproximação em praticamente qualquer época do ano.

rabo-mole-da-serra (Embernagra longicauda), por Margi Moss

rabo-mole-da-serra (Embernagra longicauda), por Margi Moss

E tem muito mais: choquinha-carijóchoquinha-de-dorso-vermelho, cigarra-bambuformigueiro-assobiadorgritador, patinho, rendeira, bandos de saíra-douradinha e saíra-lagarta, surucuá-variado, tachuri-campainhatangarátietingatrepador-quietevite-vite-de-olho-cinza, etc, etc, etc… Consulte a lista mantida pela Ecoavis na Táxeus: taxeus.com.br/lista/155.

E o passeio ao Caraça não é completo sem um encontro cara a cara com um lobo-guará. Isso mesmo: geralmente os lobos sobem as escadas do santuário em busca de alimento. Um costume mantido pelos padres há cerca de 30 anos – santuariodocaraca.com.br/lobo-guara.

lobo-guará (Chrysocyon brachyurus)

lobo-guará (Chrysocyon brachyurus)

Fica então o convite para que você visite esse paraíso. Entre em contato para obter mais informações sobre a organização de sua viagem e contrate um guia especializado em observação de aves para aproveitar ainda mais seu passeio.

Sobre Ricardo Mendes

Birding since 2006 - www.ricardomendes.eco.br
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