Birdwatching em Ouro Preto e Ouro Branco, janeiro de 2015

Ao agendar atividades de observação de aves para o mês de janeiro em Minas Gerais, uma ressalva às condições climáticas que permitam a realização das atividades é obrigatória. Historicamente o período é marcado por calor e chuvas fortes. O que se viu nesse início de 2015, no entanto, foi só o calor. Intenso.

Quando se aproximava o dia de começar o tour pelos parques estaduais do Itacolomi e da Serra do Ouro Branco, respectivamente nos municípios de Ouro Preto e Ouro Branco, guia e participantes estavam apreensivos. Como seria procurar por passarinhos após mais de 20 dias de muito calor? Como estaria a atividade das aves ao longo dos dias?

Para alegria do grupo a chuva chegou exatos dois dias antes de começarem as atividades, no dia 22. Choveu também no dia 23, o que fez com que a temperatura ficasse bem mais agradável ao longo do dia. De repente a preocupação passou a ser outra: haveria condições para passarinhar nos dias 24 e 25?

Passarinheiro tem que contar com a sorte. Após uma boa noite de descanso na Estalagem Santa Rita, o grupo formado pelos birders Daniel Esser, Kleber Silveira e o guia Ricardo Mendes partiu bem cedo para o Parque Estadual do Itacolomi. Desde a entrada no parque a neblina era vista em um um canto ou outro, mas nada que atrapalhasse a visualização das aves.

Vários cantos eram ouvidos ao longo do caminho, pelas estradinhas esverdeadas em meio à Mata Atlântica. Paradas para fotografias, gravação de sons e anotações nas cadernetas foram constantes durante toda a manhã. Aos poucos a lista de espécies avistadas foi ganhando corpo. Naturalmente os lifers apareceram, assim como possibilidades para melhorar registros de espécies já conhecidas pelos participantes. A neblina foi dando lugar a uma ótima luz, filtrada por nuvens não muito densas.

arredio-pálido (Cranioleuca pallida), por Daniel Esser

arredio-pálido (Cranioleuca pallida), por Daniel Esser

Destaque para cigarra-bambu, com indivíduos vocalizando bastante; choquinha-carijó, rendeira e tuque, sempre inquietos; uma família de pula-pula-assobiador ficou no limpo, aparentemente alimentando um filhotão a poucos metros do grupo; um casal de arredio-pálido que permitiu preciosos minutos de observação; bandos de saíra-douradinha, algumas vezes se misturando com os de saíra-lagarta e, já passando do meio-dia, um casal de joão-botina-do-brejo.

pula-pula-assobiador (Myiothlypis leucoblephara), por Daniel Esser

pula-pula-assobiador (Myiothlypis leucoblephara), por Daniel Esser

Após uma longa e produtiva manhã, parada para o almoço. No parque tem um ótimo restaurante, que permite aos observadores fazerem suas refeições contemplando a natureza exuberante do local.

O tempo começou a fechar por volta das 15:00. Com receio de enfrentar a forte chuva que se anunciava, os participantes optaram por voltar para a pousada. Se mais tarde o tempo permitisse, lá mesmo haveria oportunidade para passarinhar mais um pouco, pegando a luz do final da tarde. Mas a chuva ficou até a noite de sábado e certamente ninguém reclamou dela. Conversas sobre tratamento de imagens, viagens passadas e futuras encerraram o dia.

Na manhã de domingo o destino era o Parque Estadual Serra do Ouro Branco. Dia de procurar pelas espécies dos campos limpos e rupestres.

O dia amanheceu azul no alto da serra. Uma luz daquelas que só ambientes abertos permitem. Animados pelos primeiros raios de sol o tico-tico-de-máscara-negra e a corruíra-do-campo deram show!

tico-tico-de-máscara-negra (Coryphaspiza melanotis), por Kleber Silveira

tico-tico-de-máscara-negra (Coryphaspiza melanotis), por Kleber Silveira

corruíra-do-campo (Cistothorus platensis), por Daniel Esser

corruíra-do-campo (Cistothorus platensis), por Daniel Esser

Após a tomada de excelentes fotografias dessas espécies a expectativa pelo que viria a seguir era grande. Mas, outras espécies geralmente encontradas na serra não apareceram. Nem sinal do caminheiro-de-barriga-acanelada, por exemplo, que normalmente é visto aos montes por lá…

A viagem seguiu até os campos rupestres. O objetivo lá era encontrar o raro beija-flor-de-gravata-verde. Ambiente silencioso até que um pequeno beija-flor curioso chega perto dos observadores. Nada mais, nada menos que ele, o “Augastes”!

Entre idas e vindas a seu poleiro, foi possível contemplar de camarote a beleza desse pequenino, que só ocorre na cadeia de montanhas do Espinhaço, no ponto mais ao sul de sua área de distribuição.

beija-flor-de-gravata-verde (Augastes scutatus), por Kleber Silveira

beija-flor-de-gravata-verde (Augastes scutatus), por Kleber Silveira

Ao final da manhã as nuvens já tomavam conta do céu novamente. Embora tenham sido encontradas poucas espécies, elas eram especiais para todos.

As atividades foram encerradas com os primeiros pingos de chuva, mais uma vez comemorados após horas muito legais de passarinhada. Um almoço pra fechar a conta e atualização da lista de espécies encontradas no roteiro, que só faz aumentar: taxeus.com.br/lista/4366.

Gostou do roteiro? Entre em contato e faça você também! Mais informações em minasbirdingtours.com.br/destinos-e-roteiros/ouro-preto-ouro-branco.

Sobre Ricardo Mendes

Birding since 2006 - www.ricardomendes.eco.br
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4 respostas para Birdwatching em Ouro Preto e Ouro Branco, janeiro de 2015

  1. Daniel Esser disse:

    Relato fiel, Ricardo, de uma passarinhada das melhores.
    Fiz 4 lifers e melhorei muito as fotos de mais umas 7 espécies. E foi muito legal observar os comportamentos das rendeiras, dos pula-pulas, do casal de arredios. Memorável.

    • Que bom que você gostou, Daniel! O tempo e os bichos nos ajudaram muito :). E você vai gostar muito de fazer o roteiro Senhora de Oliveira e Rio Espera em março, pode ter certeza! Grande abraço e até lá.

  2. Maicon Mohr disse:

    Belo relato e roteiro.
    Parabéns!

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