Passarinhando nas Villas e Fazendas, setembro de 2014

Entre os dias 26 e 28 de setembro de 2014 foi realizado o piloto do roteiro para observação de aves “Passarinhando nas Villas e Fazendas”, resultado de uma parceria entre o Circuito Turístico Villas e Fazendas de Minas e o guia de observação de aves Ricardo Mendes, com apoio das Prefeituras Municipais de Senhora de Oliveira e Rio Espera, cidades localizadas na região central de Minas Gerais. O objetivo era avaliar o roteiro de dois dias proposto para a região, sob os aspectos de hospedagem, alimentação, logística e claro, da avifauna local. Participaram do piloto birders que residem na região e convidados de Belo Horizonte, totalizando 9 pessoas.

O grupo chegou a Senhora de Oliveira na noite de sexta-feira, 26/09. Foi realizada a apresentação entre aqueles que não se conheciam, uma breve confraternização e em seguida o jantar servido no fogão a lenha, cujo prato principal (costelinha de porco com quiabo) caracteriza um dos atrativos paralelos do roteiro: a culinária típica dessa região do estado. Após a recepção, hora de descansar, pois os dias seguintes prometiam muitas atividades.

Na manhã de sábado, logo após o café da manhã, seguiram para o primeiro ponto de observação, à margem do Rio Xopotó, onde há um significativo remanescente de Mata Atlântica. Durante o trajeto, uma breve parada em uma lagoa ao lado da estrada revelou a primeira surpresa do dia: o mergulhão-pequeno. Registrado apenas por Fabrício Miranda, a ave logo mergulhou e desapareceu na lagoa, como é hábito da espécie. Certamente emergiu em outro ponto após algum tempo, possivelmente após o grupo deixar o local.
Chegando ao Xopotó diversas espécies começaram a ser encontradas. Destaque para o tucano-de-bico-preto, surucuá-variado e inhambu-chintã, que vocalizavam. O avistamento do trepador-coleira chamou a atenção de todos os participantes. O bicho não se deixou fotografar… Logo em seguida outra espécie atraiu a atenção: tico-tico-do-mato, lifer para alguns dos participantes. Na linguagem da observação de aves, “lifer” é o termo utilizado por um observador quando encontra uma espécie pela primeira vez.

A caminhada seguiu por uma trilha na borda da mata. O abre-asa-de-cabeça-cinza e o bagageiro posaram para fotos. Em seguida um bando de araçaris-de-bico-branco também foi motivo de grande euforia, mais um lifer para boa parte dos participantes. O pichororé deu trabalho, como de costume. Sempre entre galhos.


Ao final da manhã e após cerca de 80 espécies avistadas, o grupo havia se dividido. Alguns participantes já se dirigiam aos carros quando os que ficaram para trás avistaram “urubus” sobrevoando a mata. Entre eles dois chamaram a atenção, devido ao formato e coloração das penas. Tratava-se de mais uma surpresa, um casal de gaviões-pega-macaco. Corra, veja com os binóculos, garanta o lifer!

Hora do almoço, os passarinhos novamente dão lugar à culinária mineira. Frango ao molho pardo na Fazenda Caatinga. De sobremesa, pudim. Tudo feito na própria fazenda, reposição de energias aprovada por todos do grupo.


Na parte da tarde a observação de aves continuou na própria fazenda. O macuquinho-da-várzea cantou, mas nada de aparecer – ele quase nunca aparece mesmo… Mas o joão-botina-do-brejo e o sabiá-do-banhado apareceram, bichos muito bonitos para se observar. Outra espécie que deu um mole incrível foi o tucão. Ficou a poucos metros, em um assa-peixe, enquanto fotografias eram feitas por todos.

O luz do dia estava se acabando e novamente o grupo se dividiu. Uma parte queria ver o casal de maracanãs-verdadeiras que se reproduzem em uma palmeira morta ao lado da sede da fazenda. Outra parte queria tentar novamente as espécies do brejo que haviam somente sido ouvidas: além do macuquinho-da-várzea, a sanã-carijó. Os que foram atrás das maracanãs deram mais sorte :).

A visita à fazenda se encerrou com um farto lanche, já no início da noite. Pão de queijo, quitandas, café com leite e suco natural bem refrescante, muito bem-vindo devido ao calor que fez durante todo o dia.

Os participantes seguiram então para Rio Espera, município vizinho, onde pernoitaram.
Na manhã seguinte, mais passarinhada. O estalador começou o dia animado. O gavião-de-cabeça-cinza apareceu sobrevoando a área. Um casal de formigueiros-da-serra exigiu momentos de dedicação às fotos. Belos habitantes das áreas em regeneração da região. Morro acima e uma parada para avistar várias outras espécies. Barranqueiro-de-olho-branco e canário-do-mato foram as estrelas nesse trecho.

canário-do-mato (Myiothlypis flaveola)

O grupo encerrou o trajeto no alto de um morro. A descida foi bem mais rápida que a subida, pelo avançado da hora e pelo interesse em visitar outro ponto, uma área alagada onde o tiê-sangue havia sido registrado alguns dias atrás.

Chegando ao local o próprio tiê-sangue deu as boas vindas. Fotos e mais fotos e a satisfação por ver o casal, macho e fêmea sempre próximos um do outro. Outra espécie que permitiu boas fotos nesse local foi a juruviara. Migratória, pode ser observada com frequência naquelas bandas nessa época do ano, pois fica bem ativa devido ao período reprodutivo.

tiê-sangue (Ramphocelus bresilius)

O roteiro se encerrou com o almoço de despedida no pesque-pague Bica d’Água. Cerveja bem gelada para o brinde e o almoço fechando a programação com chave de ouro. Torresmo, couve refogada, bife de porco e frango com quiabo.

O saldo final resultou em 140 espécies observadas e alguns quilos a mais para cada um dos participantes. As listas de Senhora de Oliveira e Rio Espera estão na Táxeus. Várias fotos estão no Wikiaves.

Gostou do roteiro? Será um prazer recebê-lo(a). Valor por pessoa: R$ 640,00, incluindo hospedagem, todas as refeições do jantar de sexta ao almoço de domingo, guias especializados em observação de aves e seguro viagem. Bebidas e deslocamentos à parte. Para locação de veículo e contratação de transfer de/para aeroporto de Confins, favor entrar em contato. Mínimo de 4 e máximo de 6 participantes.

Para contratar entre com contato com o Minas Birding Tours.

Sobre Ricardo Mendes

Birding since 2006 - www.ricardomendes.eco.br
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2 respostas para Passarinhando nas Villas e Fazendas, setembro de 2014

  1. Amaro Alves disse:

    Agregar turismo histórico e gastronômico à observação de aves é imensa demonstração de sabedoria. Todos saem ganhando.

    • A proposta é essa, prezado Amaro. Permite experiência mais consistente para o visitante, geração de renda para os trabalhadores locais e, claro, contribui para a manutenção da natureza preservada. Grande abraço!

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