Observação de aves na Serra de Ouro Branco

Ponto turístico mais conhecido do município de Ouro Branco, a serra que tem o mesmo nome da cidade é frequentemente visitada por quem busca belas paisagens, riachos de água cristalina, a capelinha localizada em seu ponto mais alto e uma vista abrangente da região.

A Serra do Ouro Branco tem uma área aproximada de 1.614 hectares. É uma elevação abrupta formada por um paredão com cerca de 20 km de extensão a sudeste, que delimita um planalto cuja altitude varia entre 1.250 e 1.568 m, e encostas íngremes a nordeste. (fonte: Wikipédia – goo.gl/uF3s74)

Localizada em região de transição entre a Mata Atlântica e o Cerrado, espécies e ecossistemas dos dois biomas podem ser encontrados na serra, lado a lado. Parte da serra e de seu entorno fazem parte de unidades de conservação, sendo as mais notáveis o Parque Estadual Serra do Ouro Branco e o Monumento Natural de Itatiaia. Empresas privadas também mantêm RPPNs em áreas de Mata Atlântica próximas aos limites das unidades principais, o que amplia as áreas protegidas.

A região do Parque Estadual Serra do Ouro Branco está situada na borda limítrofe sul da Serra do Espinhaço, sendo a primeira formação geológica considerada como marco inicial sul da segunda. Está localizada nos Municípios de Ouro Branco e Ouro Preto, a aproximadamente 60 km em linha reta a sudeste de Belo Horizonte. Tem área aproximada de 7.520 hectares. (fonte: Instituto Estadual de Florestas – IEF/MG – goo.gl/7Gpv3C)

Não é surpresa que um local com essas características chame a atenção dos observadores de aves. Além dos atrativos mencionados anteriormente, a serra tem tudo para se tornar um importante destino para birders que visitam a região. A seguir são apresentados alguns dos fatores que justificam essa afirmativa.

Quando se chega à serra pela manhã é comum ter como companhia uma densa neblina, devido à altitude e relevo da região. Aos poucos ela começa a se dissipar e aí o frio e o vento, às vezes constante, já não incomodam tanto. Começam a ser observadas as primeiras espécies de aves…

Quem dá as boas vindas é o tico-tico-de-máscara-negra. Espécie incomum, típica do cerrado, é possível encontrar indivíduos com certa facilidade na serra.

O tempo passa… maria-preta-de-penacho, quiriquiri, periquito-rei, bico-de-veludo, rabo-mole-da-serra, joão-bobo, maria-preta-de-garganta-vermelha. Um passa voando, outro fazendo algazarra, outro entoa seu melodioso canto.

Os observadores de aves precisam ficar atentos a cada movimento, mesmo ao longe.

A dissipação da neblina, que no início da manhã costuma ser densa, revela uma paisagem natural aparentemente inóspita: os Campos de Altitude.

Esses campos são cobertos por capim nativo. Infelizmente vez ou outra são alvo de incêndios criminosos, o que significa grande perda para a biodiversidade do local. Há espécies da fauna e flora que dependem dessa vegetação para sobreviver e outras que, embora não dependam, nela encontram suas melhores condições para alimentação e reprodução.

Uma dessas espécies é a corruíra-do-campo, que na foto abaixo pode ser vista em meio ao capim nativo.

Andando por esses campos é possível ouvir, à distância, cantos de espécies como o flautim e o tangará-dançarino, entre outras. São espécies associadas a matas e, como citado no início do texto, na serra os campos e matas estão lado a lado. Os campos em trechos mais planos, os fragmentos de matas em trechos mais acidentados e com maior abundância de água por perto. Matas de Galeria ocupam as margens dos cursos d’água, além dos importantes remanescentes de Mata Atlântica, representados pela fitofisionomia de floresta estacional semidecidual. Trilhas e estradas permitem o acesso a alguns desses fragmentos.

Seguindo pela estrada principal é possível notar que os Campos de Altitude e fragmentos de mata ainda dividem a paisagem com os Campos Rupestres. Entre as pedras e canelas-de-ema desse ambiente podem ser encontrados o raro beija-flor-de-gravata-verde – sendo que a Serra de Ouro Branco é o ponto mais ao sul da área de distribuição dessa espécie, endêmica do Espinhaço – e os simpáticos papa-moscas-de-costas-cinzentas.

Flores minúsculas que nascem em meio aos Campos Rupestres enfeitam o ambiente, divertindo os observadores entre um passarinho e outro. Vale ressaltar que a vegetação na região é extremamente variada e diversa e seu grau de endemismo é um dos maiores de toda a Cadeia do Espinhaço.

Quem opta por visitar a serra à tarde ainda tem a chance de contemplar belas paisagens à luz do final do dia. O pôr-do-sol, sobretudo nos meses de inverno, é espetacular.

Se o horizonte estiver limpo ainda é possível contemplar as montanhas que dividem os municípios de Ouro Branco, Ouro Preto e Itabirito. Uma visão única dos limites da Cadeia do Espinhaço.

A lista de espécies já catalogadas na serra durante visitas para observação de aves está disponível em taxeus.com.br/lista/90.

Gostou do lugar? Quer passarinhar por lá? Entre em contato e agende sua visita com um guia especializado.

Sobre Ricardo Mendes

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2 respostas para Observação de aves na Serra de Ouro Branco

  1. daniesser disse:

    Lugar promissor, Ricardo. Preciso ir aí uma hora dessas.

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